{"id":1812,"date":"2009-11-18T21:17:52","date_gmt":"2009-11-18T20:17:52","guid":{"rendered":"http:\/\/greyisgood.eu\/notes\/?p=1812"},"modified":"2025-06-25T13:45:43","modified_gmt":"2025-06-25T12:45:43","slug":"instituto-sergio-motta-forum-at-entrevista-com-susan-collins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/greyisgood.eu\/notes\/1812","title":{"rendered":"Instituto Sergio Motta, F\u00f3rum A&amp;T, Entrevista com Susan Collins"},"content":{"rendered":"\n<p>A artista e professora brit\u00e2nica <strong>Susan Collins<\/strong> \u00e9 uma das palestrantes do <strong>F\u00f3rum Internacional A&amp;T_Perspectivas Cr\u00edticas em Arte e Tecnologia<\/strong>. Collins \u00e9 uma das principais artistas da Inglaterra a trabalhar em novas m\u00eddias. \u00c9 diretora do <strong>The Slade School of Fine Art, University College, Londres<\/strong>. Seus trabalhos se d\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico, galerias de arte e espa\u00e7os on-line. Suas obras mais recentes empregam t\u00e9cnicas de transmiss\u00e3o e networking para explorar o papel da ilus\u00e3o e da cren\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00f5es da cultura digital. No dia 3 de dezembro, ela apresenta a palestra <em>Perspectivas cr\u00edticas da produ\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica<\/em>, onde mostrar\u00e1 as principais tend\u00eancias da m\u00eddia-arte no Reino Unido. Em uma breve entrevista, a artista nos fala de seu trabalho e da rela\u00e7\u00e3o entre vigil\u00e2ncia, tempo e espa\u00e7o:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em seus trabalhos mais recentes, voc\u00ea utiliza como forma de constru\u00e7\u00e3o as t\u00e9cnicas de transmiss\u00e3o, networking e real-time para representar a ilus\u00e3o e a cren\u00e7a nas tecnologias. Como voc\u00ea interpreta a influ\u00eancia dos meios digitais na rela\u00e7\u00e3o entre tempo e espa\u00e7o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A palavra digital est\u00e1 ligada a uma ideia de conectividade instant\u00e2nea ou ao \u201calways on\u201d. Uma coisa que venho explorando em meu trabalho \u00e9 justamente o oposto dessa impress\u00e3o. Trabalho algo que pode ser descrito como <em>slow time<\/em>, que tem uma rela\u00e7\u00e3o conceitual mais pr\u00f3xima ao movimento <em>slow food<\/em>. Isso significa que o \u201ctempo\u201d se torna um elemento material tang\u00edvel em sua pr\u00f3pria evid\u00eancia, que se dar\u00e1 pelo processo de transmiss\u00e3o. A compress\u00e3o dos dados durante a transmiss\u00e3o introduz artefatos pr\u00f3prios. No entanto, o m\u00e9todo que desenvolvi, de transmitir um pixel por segundo para construir uma imagem durante o per\u00edodo de 24 horas, tamb\u00e9m nos oferece uma nova rela\u00e7\u00e3o visual entre o tempo e o espa\u00e7o. Um exemplo \u00e9 o trabalho <em>Glenlandia<\/em> (2005), onde h\u00e1 a captura da imagem \u201carco\u201d da Lua, enquanto essa passa pelo c\u00e9u durante o entardecer. O acontecimento das m\u00eddias locativas (bem como o advento do Google Maps) tamb\u00e9m alterou nossa rela\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o pelo uso do GPS, como no caso do artista brit\u00e2nico <strong>Martin John Callanan<\/strong>, que em seu trabalho <em>Location of I<\/em> (2007-09), pedia ao p\u00fablico que o localizasse em qualquer lugar do mundo dentro de um espa\u00e7o de 1m.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Seus trabalhos tamb\u00e9m exploram indiretamente a quest\u00e3o da vigil\u00e2ncia na cultura digital. Como voc\u00ea analisa essa tend\u00eancia cada vez mais crescente de uma vigil\u00e2ncia dentro da cultura digital e sua rela\u00e7\u00e3o com as artes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vigiar ou observar \u00e9 algo central para mim dentro de minha produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Isso \u00e9 algo que tanto as ci\u00eancias quanto as artes t\u00eam em comum: revelar as verdades ou modos de ver atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o ou escrut\u00ednio. H\u00e1 alguns anos, colaborei com a arquiteta <strong>Sarah Wigglesworth<\/strong> no projeto <em>Classroom of the future<\/em>, uma aula de ci\u00eancias para crian\u00e7as do prim\u00e1rio. Uma das caracter\u00edsticas fundamentais das aulas era a de usar ferramentas de vigil\u00e2ncia, cada vez mais presentes no mercado, e criar um sistema de observa\u00e7\u00e3o e registro da natureza e sua evolu\u00e7\u00e3o no tempo. Vigiar n\u00e3o \u00e9 novidade para os artistas e nem apareceu com o surgimento das Webcams. Um exemplo \u00e9 o trabalho <em>Empire<\/em> (1964), de <strong>Andy Warhol<\/strong>, que foi apropriado por <strong>Wolfgang Staehle<\/strong> em <em>Empire24\/7<\/em> (1999).<sup>1<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como voc\u00ea avalia a atual produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica brit\u00e2nica? Quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas espec\u00edficas dessa produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como em todo pa\u00eds, h\u00e1 um amplo espectro de pr\u00e1ticas que torna dif\u00edcil generalizar. No entanto, o que distingue a produ\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica da \u00faltima d\u00e9cada em diante \u00e9 o crescimento do mercado da arte, que levou a uma maior visibilidade para aqueles que trabalham com formas menos comerciais de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Em termos de artistas trabalhando com novas m\u00eddias, existem aqueles que est\u00e3o satisfeitos ao trabalhar em ambientes de pesquisas mais experimentais e especializados (h\u00e1 um crescente interesse por projetos em <em>sci-arts<\/em>); ao mesmo tempo, os artistas pertencentes ao <em>mainstream<\/em> passaram a incorporar as tecnologias emergentes do cotidiano, o que resultou em um ambiente mais ecl\u00e9tico e menos <em>medium-specific<\/em>. Minha apresenta\u00e7\u00e3o <em>Perspectivas cr\u00edticas da produ\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica<\/em>, durante o <strong>F\u00f3rum Internacional Arte e Tecnologia<\/strong>, ser\u00e1 voltada para estes trabalhos que incorporaram o digital ou encontraram novas maneiras de materializar o digital para galerias ou espa\u00e7os f\u00edsicos. Isso ser\u00e1 exemplificado tanto no trabalho de artistas consolidados nas novas m\u00eddias como naqueles que n\u00e3o se veem trabalhando explicitamente dentro do dom\u00ednio digital.<\/p>\n\n\n\n[<a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20101205040132\/http:\/\/blog.premiosergiomotta.org.br\/2009\/10\/26\/forum-at-entrevista-com-susan-collins\/\">web archive<\/a>]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A artista e professora brit\u00e2nica Susan Collins \u00e9 uma das palestrantes do F\u00f3rum Internacional A&amp;T_Perspectivas Cr\u00edticas em Arte e Tecnologia. 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